M&A de data centers supera 69.000 millones y revela cuellos de botella energéticos

M&A global de data centers supera US$ 69 bi, mas transmissão lenta e água escassa travam expansão no maior hub da América Latina. A disputa agora é por quem controla a cadeia completa.

M&A de data centers supera 69.000 millones y revela cuellos de botella energéticos

Foto: Brett Sayles

O apetite global por infraestrutura de inteligência artificial mudou de alvo. Dados da S&P Global Market Intelligence compilados pela Zaxo M&A Partners mostram que o setor de data centers movimentou mais de US$ 69 bilhões em fusões e aquisições em 2025, com 113 transações concluídas. O valor supera o ciclo anterior de software e sinaliza uma realocação estrutural: o ativo estratégico deixou de ser o modelo e passou a ser a usina que o alimenta.

No Brasil, a I Squared Capital comprou a Elea Data Centers em abril — nove unidades, 300 MW com energia garantida e 1 GW em desenvolvimento, exigindo mais de US$ 10 bilhões em capital novo. Paralelamente, a francesa Legrand assumiu o controle da green4T, especialista em implantação e manutenção de ambientes de missão crítica. O recado é claro: a segunda onda de consolidação não mira operadores, mas a cadeia que viabiliza a operação — energia, refrigeração, automação, engenharia.

O nó da transmissão

Patrocinado Advertisement

A CPFL Energia, distribuidora que atende o interior paulista — hoje o principal polo de data centers do país —, reportou alta de 35% na demanda de energia desse segmento no segundo trimestre de 2026, após 24% nos três primeiros meses do ano. O CEO Gustavo Estrella revelou à Reuters que a companhia negou cerca de 8 GW em pedidos de conexão. "Tem muita duplicidade, alguma especulação. Mas há demanda, disso não há dúvida", disse. Para dimensionar: Campinas, com 1,2 milhão de clientes, consome 350 MW. Três data centers de 100 MW cada dobrariam a carga da cidade.

A geração não é o gargalo — a matriz brasileira é majoritariamente renovável e atrai capital internacional justamente por isso. O estrangulamento está na transmissão, que cresce em ritmo mais lento que o consumo projetado. A Agência Internacional de Energia estima que a eletricidade destinada a data centers no mundo ultrapassará 1.000 TWh em 2030, ante 460 TWh em 2024. Nos Estados Unidos, a Administração de Informação de Energia projeta que o consumo comercial superará o residencial já nos próximos anos, puxado por centros de IA.

A variável invisível: água e refrigeração

Um estudo publicado em Energy and Power Engineering (2026) separa o que costuma ser agregado: data centers tradicionais operam em densidades de rack de ~8 kW; instalações de IA passam de 30 kW. Esse salto concentra calor e exige refrigeração líquida, que economiza energia, mas aumenta perdas de água doce. Grandes centros podem consumir até 5 milhões de galões por dia — equivalente a cidades pequenas. Nos EUA, o consumo direto de água por data centers saltou de 21 bilhões de litros (2014) para 66 bilhões (2023). No interior paulista, onde a expansão se concentra, a disponibilidade hídrica já é tema de planejamento de resiliência climática, não de abundância.

O que define o vencedor na América Latina

Em seu relatório sobre a região em 2026, o J.P. Morgan Private Bank usa o termo "opcionalidade" para descrever a vantagem de quem consegue navegar entre recursos, reformas e tendências globais. No caso da infraestrutura de IA, a opcionalidade real não está em ter terra ou licenciamento — está em controlar a cadeia que transforma energia bruta em computação confiável: subestações, cabos de fibra, sistemas de refrigeração de alta densidade, automação de missão crítica e, sobretudo, acesso garantido à malha de transmissão.

A corrida do ouro do século XIX enriqueceu quem vendia pás e jeans. A de 2026 enriquecerá quem dominar a engenharia de potência, a logística de água e a prioridade na fila de conexão. No Brasil, a CPFL já sinalizou que não há ativos relevantes à venda no mercado de M&A de distribuição — o crescimento virá de leilões e de parcerias com quem tem capacidade de execução. Quem chegar depois da fila de 8 GW encontrará apenas o risco de ficar com a pá na mão.

Fuentes

  1. La consolidación de los data centers debe avanzar hacia toda la cadena tecnológica
  2. M&A de data centers supera los US$ 69 mil millones en 2025
  3. CPFL gana R$ 1,44 mil millones, ve nuevo impulso de data centers en el mercado de distribución
  4. Inteligencia artificial y sobreconsumo energético: Demanda eléctrica de centros de datos, cargas de refrigeración y restricciones de sostenibilidad regional
  5. América Latina en 2026: Entre el potencial y la presión, la respuesta es la ...
Redacción

Escrito por

Redacción

Turing magazine

Equipo editorial de Turingmag. Cobertura institucional sobre inteligencia artificial para ejecutivos y directivos en Latinoamérica.